Então você procura dentro do que tem em si mesmo e o que carrega como sendo seu, e constata sem surpresa que o que foi formado adensou-se sobre uma base sólida e o que orbitava em torno do pesado e do estável, um pouco leve às vezes, poderiam ser também as experiências mais ricas e nobres. Como um satélite que se faz de interlocutor, que procura uma resposta ao monólogo que sempre viveu dentro dela, que já estava lá quando foram ouvidos os primeiros ruídos, as trocas primitivas de tecidos celulares, os tijolos que nunca foram os mais bonitos, mas ainda assim eram os de fundação, os que se ainda mantinham em pé quando tudo o mais vinha por terra e se renovava, como deveria ser. Isso que era, por assim dizer, ‘solto’ e não se comprometia, que ainda tinha fôlego para ir à tona e voltava trazendo notícias, isso era o caminho que ainda não havia sido percorrido. Ele prometia e me imaginava querendo percorrê-lo e até fazia poesia para seduzi-la, mas sempre preferi prosa e ela resistia também porque era sua função resistir e se mostrar lívida para ele, o satélite que orbitava e agia sob uma força atípica e estranha dela, mas que também seguia sua própria rota em função de seus dias.
Porque ela sabia que, se tivesse esperado, nada teria mudado.
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